A Prefeitura de Colíder, por meio da Secretaria Municipal de Educação, promoveu nesta sexta-feira (10/7) uma formação para 114 profissionais de Apoio de Desenvolvimento Escolar (ADEs) que atuam na rede municipal de ensino. Realizado na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), o encontro teve como tema central “Comportamento e Autonomia” e abordou práticas voltadas ao atendimento de alunos Público-Alvo da Educação Especial (Paede) e da Educação Infantil.
A capacitação contou com a participação das clínicas Espaço Ono, Salute e Verità. As palestras foram ministradas pela psicóloga Carina Ono, pela terapeuta ocupacional Pamela Figueiredo e pela fonoaudióloga Cristiane Santos. As profissionais abordaram situações encontradas na rotina escolar e apresentaram orientações sobre comportamento, comunicação, desenvolvimento e estímulo à autonomia.
Os ADEs acompanham estudantes que necessitam de apoio durante o período escolar. Entre as atribuições estão o auxílio na locomoção, higiene e alimentação, além do suporte à participação do aluno nas atividades pedagógicas e na convivência com os demais estudantes.
Para a coordenadora da Educação Especial Inclusiva, Márcia Furlanetto, a formação continuada permite que os profissionais compreendam melhor as necessidades de cada estudante e adotem práticas que estimulem sua participação na rotina escolar.
“Os ADEs estão diariamente ao lado dos nossos alunos e conhecem de perto as dificuldades, os avanços e as possibilidades de cada criança. Por isso, precisam ter conhecimento para saber quando auxiliar, como intervir e, principalmente, como estimular a autonomia”, esclarece Márcia.
AUTONOMIA
Um dos principais pontos tratados durante a formação foi a necessidade de diferenciar apoio de dependência. A atuação do profissional deve garantir segurança e condições para que o estudante participe das atividades escolares, mas também precisa incentivar, de maneira gradual e respeitando as características individuais, que a criança desenvolva habilidades próprias.
A psicóloga da Secretaria Municipal de Educação, Alexandra Barros, destaca que o comportamento da criança precisa ser compreendido dentro do contexto em que ocorre. Segundo ela, conhecer as razões de determinadas reações ajuda os profissionais a responderem de maneira mais adequada às situações vividas em sala de aula e nos demais espaços da escola.
“Todo comportamento comunica alguma coisa. O profissional precisa observar, compreender o contexto e identificar o que a criança está tentando expressar. Esse olhar mais atento permite uma intervenção mais adequada e evita respostas automáticas diante de situações que exigem compreensão”, diz Alexandra.
Segundo a psicóloga, o desenvolvimento da autonomia ocorre em pequenas ações da rotina. “Muitas vezes, na intenção de ajudar, o adulto acaba fazendo pela criança aquilo que ela já poderia começar a realizar com algum suporte. Nosso trabalho é mostrar que apoiar também significa criar oportunidades para que o aluno tente, aprenda e conquiste independência”, acrescenta.
FORMAÇÃO PARA A PRÁTICA
A programação deu atenção especial ao atendimento realizado na Educação Infantil, etapa em que a observação do desenvolvimento e a adoção de práticas adequadas podem contribuir para a superação de barreiras de comunicação, interação, aprendizagem e participação.
Márcia Furlanetto afirmou que o município busca aproximar a formação profissional das situações enfrentadas dentro das unidades escolares. “A formação precisa dialogar com o que acontece no chão da escola. Os profissionais chegam com dúvidas concretas, situações que vivenciam todos os dias, e encontram especialistas que podem orientar e ampliar esse conhecimento”, explica.
O atendimento aos estudantes Público-Alvo da Educação Especial exige planejamento conjunto entre professores, equipes pedagógicas, profissionais de apoio e famílias. Nesse processo, o ADE exerce uma função diretamente ligada à rotina do aluno e à sua participação nas atividades desenvolvidas pela escola.
A formação também integra as ações da rede municipal para assegurar o direito de acesso, permanência, participação e aprendizagem dos estudantes, conforme as diretrizes da educação inclusiva e os direitos previstos na Lei Brasileira de Inclusão e no Estatuto da Criança e do Adolescente.
CAPACIDADES
Para Alexandra Barros, encontros com profissionais de diferentes áreas ajudam a ampliar a compreensão sobre o desenvolvimento infantil. “Quando Educação, Psicologia, Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia compartilham conhecimento, o profissional que está na escola passa a contar com mais referências para tomar decisões no dia a dia. Quem ganha é o aluno, que recebe um atendimento mais atento às suas necessidades e capacidades”, afirma a psicóloga.
Márcia Furlanetto reforça que, com a capacitação dos 114 ADEs, a Secretaria Municipal de Educação quer levar as orientações discutidas durante o encontro para a rotina das unidades escolares. “A proposta é fortalecer práticas que garantam apoio aos estudantes sem perder de vista um dos principais objetivos da Educação Especial Inclusiva: permitir que cada aluno participe da vida escolar e desenvolva, dentro de suas possibilidades, níveis cada vez maiores de autonomia”, finaliza a coordenadora.
Redação: Assessoria




























