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Impactos dos Danos Ferroviários no Transporte de Etanol ao Rio Grande do Sul

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Passados quase três meses desde os severos danos causados pela catástrofe climática de maio, a situação das principais ferrovias do Rio Grande do Sul continua crítica. Inundações e deslizamentos afetaram pelo menos quatro trechos, incluindo a Ferrovia do Trigo, que atravessa o Vale do Taquari. A situação tem gerado impactos significativos na logística de transporte.

A principal consequência da interdição dos trilhos é o comprometimento do transporte de combustíveis, especialmente o etanol. Estima-se que cerca de 80% do etanol destinado ao estado é transportado por ferrovia, o que afeta diretamente o abastecimento de veículos e a produção de plástico verde. Com a interrupção das vias ferroviárias, as rodovias passaram a ser a única alternativa, resultando em custos adicionais consideráveis.

João Carlos Dal’aqua, presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do RS (Sulpetro), afirma que o custo extra é “inevitável” e prejudica tanto as empresas do setor quanto os consumidores finais. “O transporte ferroviário era muito mais barato. Agora, com a substituição por caminhões, o custo aumentou e esse aumento acaba sendo repassado ao consumidor. É uma situação difícil para todos”, lamenta Dal’aqua, que também destaca a dificuldade em estimar o percentual exato de aumento no preço do etanol devido às variações no mercado.

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O etanol no estado não é produzido localmente, sendo majoritariamente proveniente das regiões Sudeste e Centro-Oeste. O transporte ferroviário proporcionava custos muito menores em comparação ao rodoviário, afetando diretamente o preço tanto da gasolina quanto do combustível puro.

Dal’aqua critica a falta de um plano de recuperação eficaz por parte da Rumo Logística, empresa responsável pela concessão das ferrovias no estado. Ele observa que, embora o produto continue chegando, o custo elevado está gerando desconforto entre os envolvidos. “A impressão é de que a empresa não está muito interessada em uma solução rápida e efetiva. Isso é angustiante”, afirma.

Além dos prejuízos econômicos, a situação também afeta o turismo estadual. O projeto Trem dos Vales, na Ferrovia do Trigo, teve que cancelar seus passeios para 2024 devido às condições dos trilhos e à falta de um cronograma claro para a recuperação dos trechos. Charles Rossner, presidente da Associação dos Municípios para o Turismo da Região dos Vales (Amturvales), criticou a falta de posicionamento da concessionária em entrevista à Rádio A Hora, chamando a situação de uma “grande sacanagem”.

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A Rumo Logística deve apresentar um diagnóstico completo da situação das ferrovias gaúchas até o início de agosto, conforme acordado em reunião com o vice-governador Gabriel Souza. A concessionária informou que está realizando um levantamento detalhado dos danos causados pelas chuvas e mantendo diálogo com o governo federal e outras autoridades para uma avaliação conjunta.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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